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Educação para Cegos
Data de veiculação: 16/08/12
Tipo: Online
http://www.atitudesaopaulo.com.br/?p=6999
Educação para Cegos
31 de março de 2012


Independente da limitação física, todos somos capazes de aprender e evoluir
Recomeço. É assim que muitas pessoas descrevem sua entrada na Fundação Dorina Novill para Cegos, na Vila Mariana. Há mais de 6 décadas a Fundação atende pessoas de todas as idades, oferecendo através de seus cursos, aulas e equipe médica e toda a estrutura necessária para a integração do cego à sociedade. “As pessoas chegam buscando orientação e nós oferecemos o que cada pessoa precisa de acordo com sua necessidade”, explica Daniela Santos, assessora de imprensa.
Todos os atendimentos são gratuitos e para ser admitido é necessário apresentar documentos pessoais, prontuários médicos e passar por uma avaliação com a assistente social. Com uma fila de espera relativamente pequena, em apenas 2 meses o cliente já inicia seu processo de reintegração.

Dentro da Fundação as possibilidades de desenvolvimento do deficiente visual são inúmeras. São oferecidos desde aulas de braile, mobilidade, uso da bengala e Atividades da Vida Diária, onde o cliente aprende a se adaptar a atividades corriqueiras do dia a dia, até curso de informática com ênfase em empregabilidade e avaliação olfativa, que capacita seus alunos para trabalharem como provadores de perfumes.
Maria Deneuda, estudante de Pedagogia e cliente pela segunda vez da Fundação é aluna da avalição olfativa e desfaz o mito de que surdos tem o olfato ou audição mais apurados. “Isso é lenda. O que fazemos é estudar e tudo na vida é treino. Conseguimos avaliar a matéria prima, sentir as notas das fragrâncias porque estamos atentos e treinamos muito!”. Em relação a Fundação, ela finaliza sua fala emocionada. “É a oportunidade de reviver, de ser reintegrado à vida!”
Ao andar pelos corredores da Fundação é realmente impressionante todo o trabalho de adaptação e acessibilidade pelos quais livros, filmes e revistas passam. Para que todo material seja publicado corretamente, uma voluntária vidente lê o texto, enquanto uma funcionária cega revisa as páginas em braile. Em 2011, foram 190 mil publicações. Além do braile, a audioteca tem um enorme acervo que cresce a cada mês através de locutores profissionais e voluntários.
Aula de Braile
Edini Fernandes Silva, psicopedagoga, é professora de braile há 18 anos e comentou o avanço das criações voltadas aos cegos. “Antigamente era bem mais difícil, mas hoje temos várias novidades como bingo, dominó e baralho de cartas.” Sobre a metodologia das aulas, ela explica que tudo acontece de acordo com o aluno e suas necessidades. O ensino do braile é mais fácil para crianças que estão sendo alfabetizadas.
Na primeira aula de braile, além de uma conversa de apresentação, a sala é descrita e depois desse primeiro contato, o cliente começa a trabalhar com o alfabeto tátil, peças de madeira onde a percepção das posições é mais fácil. Ao todo são 63 posições divididas em 2 colunas.
A educação é a melhor maneira de formar cidadãos capazes e atuantes, independente de suas limitações físicas. O estímulo, o treino e a força de vontade são as palavras chaves para o desenvolvimento e o sucesso de qualquer pessoa. “Todos somos capazes”, diz Maria Deneuda ao se despedir.
SERVIÇO
Fundação Dorina Nowill para Cegos
Rua Doutor Diogo de Faria, 558
Fone: 5087.0999
Por Priscila Quintal



