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Mercado está em busca de portadores de deficiência
Data de veiculação: 09/08/12
Tipo: Impresso
LUCIELE VELLUTO
O mercado de trabalho tem vagas e quer contratar profissionais com deficiência em 2012. Os últimos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), de 2010, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que havia 44,1 milhões de trabalhadores com carteira assinada até o final daquele ano. Desses, 306 mil foram declarados como pessoas com deficiência, representando apenas 0,7% do total de pessoas com contrato formal de trabalho no período.
O baixo número de deficientes no mercado de trabalho tem dois motivos principais: falta de qualificação profissional e preconceito. Então é hora de se qualificar, e rápido.
Atualmente há pelo menos 580 vagas em São Paulo abertas para quem quer se qualificar gratuitamente e também derrubar a barreira do preconceito.
Os cursos, oferecidos por organizações sem fins lucrativos, fundações e parcerias entre escolas de ensino, empresas e poder público, vão dos básicos de comportamento no meio corporativo até os específicos, como auxiliar de serviços gerais no setor de construção civil e avaliador olfativo, especialização para quem quer trabalhar com perfumes e aromas.
Uma dessas organizações que oferecem mais de 60 cursos é a Avape. As vagas vão se abrindo conforme a demanda por formação, mas há mensalmente pelo menos 200 pessoas com deficiência ingressando nos cursos oferecidos pela entidade em São Paulo.
“Se em pleno 2012 ainda há empresas que têm preconceito em ter essas pessoas em seus quadros de trabalho, imagina se o deficiente não tiver capacitação. Essa pessoa não consegue entrar no mercado de trabalho”, afirma Marcelo Vitoriano, gerente de capacitação e inclusão da Avape.
A entidade trabalha também com cursos customizados, feitos em parceria com outras organizações e empresas. Já houve cursos realizados junto com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com a loja de material de construção C&C e com o hospital A.C. Camargo.
O poder público também tem casos de parceria com empresas e escolas de capacitação profissional para incluir deficientes no mercado de trabalho. Na semana passada, o Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), da Prefeitura de São Paulo, anunciou o trabalho conjunto com a empresa do setor de construção civil WTorre para a formação de 100 deficientes pelo Senai para atuar no ramo, sendo 80 vagas ainda abertas. “Serão formados por um ano e desde o início estão contratados, recebendo salário de R$ 1,1 mil por mês”, afirma Daiane Oliveira de Paula, gerente do programa Inclusão Eficiente da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho.
Olfato – Outra organização que também está com vagas abertas para formação profissional é a Fundação Dorina Nowill, que atende deficientes visuais. Há 40 vagas para informática e 10 para capacitação na área de avaliação olfativa.
“O curso de avaliação olfativa foi uma iniciativa da empresária Tânia Bulhões. Essas pessoas poderão sair daqui e atuar no setor de perfumaria, cosméticos, higiene e até automotivo”, comenta Edson Defendi, coordenador de empregabilidade da Fundação Dorina Nowill.
A primeira turma de avaliação olfativa se forma este mês e deve iniciar um estágio prático em empresas parceiras do projeto.
A dica para o deficiente que quer entrar no mercado é se qualificar. “As pessoas precisam correr atrás para estar melhor preparadas. Não é porque existe a Lei de Cotas (obriga empresas com mais de 100 pessoas a contratar deficientes) que acontecerá uma mágica e terá um emprego”, comenta Vitoriano.
As entidades fazem avaliação do perfil do deficiente para encaixá-lo no setor em que ele melhor se enquadra. Mas curso de informática é básico para todos. E quem estuda línguas, como inglês, consegue se destacar.
Cursos
Avape - Organização filantrópica tem mais de 60 cursos de capacitação e 200 vagas mensais em São Paulo. www.avape.org.br
Dorina Nowill - www.fundacaodorina.org.br -Rua Dr. Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino
CAT - www.prefeitura.sp.gov.br/trabalho; End. Rua Padre Estevão Pernet, 615 - Tatuapé, Av. Ordem e Progresso, 1001 - Casa Verde, Rua Monteiro de Melo, 342 - Lapa, Av. interlagos, 6122 - Interlagos e mais 15 endereços
APAE - Organização capacita jovens com deficiência intelectual para o setor de serviços. Há 120 vagas. www.apaesp.org.br End. Rua Loefgren, 2109 - Vila Clementino
REDE LUCY MONTORO - A rede de reabilitação Lucy Montoro oferece diversos cursos profissionalizantes e de geração de renda. www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br Tel.3873-6760, ramal 243
SOBRAM VAGAS E A ROTIVIDADE NO SEGMENTO É ALTA
A consultoria especializada em projetos de inclusão de deficientes no mercado de trabalho i.Social tem 250 vagas abertas para esses profissionais todos os meses , mas apenas 100 a 120 são preeenchidads.
De acordo com a diretora de Recursos Humanos da consultoria, Renata Casimiro, a demanda de profissionais no mercado de trabalho é muito maior do que pessoas cpacitadas, o que faz com que sobrem vagas "Isso também faz com que a rotatividade no mercado de trabalho também seja muito alta pois por R$100 , R$200, muitos profissionais deficienes acabam trocando de emprego", comenta Renata.
Segundo a diretora de RH, as empresas acabam deixando de contratar candidatos por causa da instabilidade no trabalho. "Já vi currículos em que o deficiente tinha passado por sete empresas em um ano. A próxima vai pensar bem antes de contratar, pis a tendência é que esse profissional não fique no emprego".
Mas não é apenas a questão salarial que faz os trabalhadores saírem de um emprego e irem para outros. A falta de adaptação e respeito pelo profissional também pesam na troca de um trabalho pelo outro. A diretora afiram que alguams empresas contratam deficientes apenas para preencher cotas e "enconstam" esse profissional dentro da organização.
"O trabalhador deficiente também quer ser reconhecido como profissional e não apenas ser um deficiente. Muitas acabam ficando apenas como auxiliares porque não têm chance de aprender novas funções ou mostrar do que são capazes", diz Renata.
Pela escassez de profissionais deficientes, os salários acabam se elevando. Segundo a Rais de 2010, os rendimentos médios das pessoas com deficiência foram de R$1922,90 naquele ano, superiores à média geral de empregados formais, de R$1742.
Audiodescrição da Foto No1 : Em uma sala amarela com estante e balcão brancos , estão duas moças com aventais brancos . Uma delas tem uma tira de papel nas mãos e a leva até o nariz para avaliar o olfato e a outra está de pé segurando uma bandeija com inúmeros frascos de vidro.
Audiodescrição da Foto No2 : Em uma sala com um grande desenho de frascos coloridos pintados na parede, uma moça com avental branco. tem uma tira de papel nas mãos e a leva até o nariz para avaliar o olfato . Em seu avental, há um bolso onde lê-se Avaliação Olfativa
Audiodescrição da Foto No3 : A foto mostra duas moças sentadas em frente à computadores. Uma delas usa headphone. Atrás de uma delas, há um senhor grisalho, usando jeans, portando crachá que parece estar orientando-a.




