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Dorina de Gouvêa Nowill
Sobre a Dorina
Dorina de Gouvêa Nowill faleceu em 29 de agosto de 2010, aos 91 anos de idade. Deixou ao Brasil e ao mundo uma instituição reconhecida pela qualidade de seus livros acessíveis e serviços de reabilitação. Deixou à pessoa com deficiência visual a oportunidade de viver com dignidade e às pessoas que enxergam uma lição de vida.
Perseverança, caridade, resignação e paciência são as lições deixadas por esta paulista que enxergava o mundo com os olhos da alma. Cega aos 17 anos, Dorina Nowill foi criadora da fundação que leva seu nome, onde exerceu até a sua morte, o cargo de Presidente Emérita e Vitalícia.
Capítulos do texto sobre a Dorina Nowill
Capítulo
Pensamentos de Dorina
"É a semente do bem comum que vinga, cria raízes e se integra ao coração dos homens"
Ouça na voz de Dorina Nowill
Quem foi
Nascida em São Paulo no dia 28 de maio de 1919, Dorina ficou cega aos 17 anos vítima de uma enfermidade não diagnosticada. Percebendo, naquela época, a carência de livros em braille no Brasil, criou, com a participação de outras normalistas, a então Fundação para o Livro do Cego no Brasil, que iniciou suas atividades em 11 de março de 1946.
Foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular na Escola Normal Caetano de Campos, tendo conseguido, posteriormente, a integração de outra menina cega num curso regular da mesma escola. Colaborou para a elaboração da lei de integração escolar, regulamentada em 1956.
Dorina de Gouvêa Nowill especializou-se em educação de cegos no Teacher´s College da Universidade de Columbia, em New York - EUA. Naquela ocasião, participou de uma reunião com a Diretoria da Kellog's Foundation, expôs o problema da falta de livros em braille para cegos brasileiros e da necessidade de se conseguir uma imprensa braille para a Fundação que tinha sido criada no Brasil. Em 1948, a Fundação para o Livro do Cego no Brasil recebeu da Kellog's Foundation e da American Foundation for Overseas Blind uma imprensa braille completa com maquinários, papel e outros materiais.
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Além da educação, outra preocupação de Dorina sempre foi a prevenção da cegueira, tendo conseguido em 1954 que o Conselho Mundial para o Bem-Estar do Cego se reunisse no Brasil, em conjunto com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Associação Panamericana de Saúde.
De 1961 a 1973 dirigiu a Campanha Nacional de Educação de Cegos do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Em sua gestão foram criados os serviços de educação de cegos em todas as Unidades da Federação.
Dorina lutou também pela abertura de vagas e encaminhamento das pessoas com deficiência para o mercado de trabalho. Em 1982, durante a Conferência da OIT, em Genebra, Dorina conseguiu que a Recomendação 99 fosse discutida. Quando a Conferência da OIT se reuniu no congresso de 1983, os representantes do governo brasileiro, dos empresários e dos trabalhadores, votaram a favor da proposta do Conselho Mundial para o Bem-Estar do Cego para aprovação da Convenção 159 e da Recomendação 168, que convocam os Estados membros a cumprir o acordo, oferecendo programas de reabilitação, treinamento e emprego para as pessoas deficientes.
Foi presidente do Conselho Mundial para o Bem Estar dos Cegos, hoje, União Mundial de Cegos e recebeu vários prêmios e medalhas nacionais e internacionais ao longo de suas mais de seis décadas de trabalho à frente da Fundação Dorina.
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Madrinha da campanha "Acessibilidade Siga Esta Idéia" da Prefeitura de São Paulo, Dorina sempre lutou para o desenvolvimento pleno e pela inclusão social dos deficientes visuais, razão pela qual a Fundação Dorina Nowill para Cegos trabalha há 65 anos para facilitar a inclusão social de pessoas cegas e com baixa visão, por meio de produtos e serviços especializados.
Hoje, a Imprensa Braille da Fundação é uma das maiores do mundo em capacidade produtiva, com produção em larga escala, equipamentos de grande porte, recursos humanos especializados e matéria-prima especial. Há quem diga que nos últimos 60 anos não há no Brasil uma só pessoa cega alfabetizada que não tenha tido em suas mãos pelo menos um livro em braille, produzido pela Fundação Dorina Nowill para Cegos. Além dos avanços tecnológicos para produção dos livros em braille, a instituição sempre procurou acompanhar e também cumprir as recomendações da UNESCO no que diz respeito à composição de livros para crianças.
Seguindo o empreendedorismo de Dorina, a Fundação oferece como um de seus serviços a produção de livros falados e livros digitais acessíveis, visando diminuir os problemas de comunicação das pessoas cegas ou com baixa visão ocasionados pela limitação visual. O mais recente lançamento da instituição são os livros digitais acessíveis no formato Daisy, reconhecido mundialmente como o recurso mais moderno em acessibilidade de leitura.
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Escreveu o livro "... E EU VENCI ASSIM MESMO", lançado em 1996, que foi traduzido para o espanhol com o título "...Y AUN ASÍ LO HE CONSEGUIDO", e apresentado em reunião da União Mundial de Cegos na África do Sul, em dezembro de 2004, com distribuição para toda a Europa e América Latina. Além disto, foi a inspiradora da obra "Para Ver Além", lançado em 2002, que reúne frases de sua autoria, sob a organização de Marina Gonzalez.
Nos últimos anos, Dorina preocupava-se em difundir o trabalho da instituição, sua experiência e o Sistema Braille por meio de trabalhos com a comunidade, professores e palestras requisitadas por empresas, escolas, universidades e instituições de São Paulo e do Brasil.
Em 2009, destaque para as comemorações dos 200 anos de Nascimento de Louis Braille, inventor do sistema de escrita e leitura para cegos, em 2009, no qual esteve empenhada em chamar atenção para questões relacionadas à deficiência, envolvendo toda a sociedade em uma ampla reflexão sobre o uso do Sistema Braille como um instrumento indispensável tanto na educação quanto no exercício da cidadania com maior independência e autonomia para as pessoas com deficiência visual.
Neste mesmo ano, quando completou 90 anos, Dorina recebeu diversas homenagens por uma vida inteira dedicada à inclusão dos deficientes visuais nas mais diversas áreas: cultura, educação, saúde e trabalho.
"Vencer na vida é manter-se de pé quando tudo parece estar abalado. É lutar quando tudo parece adverso. É aceitar o irrecuperável. É buscar um caminho novo com energia, confiança e fé." Dorina de Gouvêa Nowill
- Dorina Nowill – Depoimento sobre Educação Especial e Inclusão
- Dorina Nowill – Depoimento sobre a Vida Escolar
- Reportagem com Dorina Nowill
- Mulheres de Valor com Dorina Nowill
- Cidadania e Democracia - Dorina Nowill
- Perfil Dorina Nowill
- Amigos, admiradores e familiares prestam últimas homenagens e se despedem
- Dorina Nowill – Depoimento sobre Aprendizagem
"É a semente do bem comum que vinga, cria raízes e se integra ao coração dos homens"
"Todas as histórias têm um fim, mas a minha continua... Plantamos e nem sempre vemos o fruto do nosso trabalho completo, mas felizmente outros continuarão"
"Feliz de quem, em sua vida de trabalho, pôde indicar tantos nomes que correspondem a tantos valores. Nomes há muitos no mundo. Nomes que representam valores não são encontrados facilmente"
"Foi uma oportunidade única poder mostrar que as pessoas cegas existem, que seus direitos e necessidades precisam ser levados em consideração por serem elas também membros da comunidade"
"O trabalho filantrópico não é apenas um desafio ou um prazer, mas uma contribuição para o desenvolvimento de uma causa importante"
"O bem estar de todos os membros da sociedade, sem exceções, é o que faz de um país um povo civilizado"
"Só posso pedir a Deus, com todo o fervor, que mantenha acesa no coração dos homens a chama do impulso para as realizações"
"Sucesso é conseguir realizar aquilo que sonhamos e em que acreditamos"
Curiosidades
- “A força do ideal, a coragem e a dedicação são elementos essenciais para que as obras que têm como objetivo o homem propriamente dito, sua felicidade e seu bem-estar possam prevalecer em qualquer sociedade presente ou futura.” Dorina de Gouvêa Nowill
- “Onde Dorina está, não há escuridão”, a melhor definição sobre ela vem de sua amiga Hellen Keller, educadora, escritora, advogada, surdocega, que percorreu o mundo promovendo campanhas para melhorar a condição de vida das pessoas com deficiência.
- Mulher, cidadã, esposa, dona de casa, mãe de cinco filhos, 12 netos e 3 bisnetos.
- Carismática, inspiradora e transcendental. Autora da obra “... E Eu venci assim mesmo”, foi uma revolucionária que aceitou com resignação sua cegueira, e lutou em prol das pessoas com deficiência.
- Formou-se professora em 1945 quando nenhuma pessoa cega sequer estudava em escolas comuns. Dorina era contra nomenclaturas, rótulos e a favor dos direitos humanos.
- Sempre elegante, sorridente e ativa, Dorina de Gouvêa Nowill, presidente emérita e vitalícia da Fundação Dorina Nowill para Cegos, era daquelas brasileiras que nos fazem acreditar numa sociedade mais justa e inclusiva.
- Educadora, humanista, profissional de atuação e reconhecimento internacional. Ao longo dos anos Dorina de Gouvêa Nowill recebeu diversos prêmios e homenagens. Em 2009, foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do ano pela Revista Época por seu trabalho em prol da educação, cultura, reabilitação e profissionalização de pessoas cegas e com baixa visão.
Depoimentos
″Dorina Nowill, uma paulista cidadã do mundo, inteligente e sensível, que transformou os chamados limites em libertação″
Dra. Marilia de Castro, Coordenadora Geral da REBRATES, Rede Brasileira do Terceiro Setor″O trabalho da Fundação Dorina Nowill reflete o perfil de sua fundadora, que é o pioneirismo na ação social e educacional na garantia dos direitos e na valorização da pessoa humana″
Dra. Linamara Rizzo Battistella, Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência″Dorina de Gouvêa Nowill tinha o raro dom de enxergar muito além do que os olhos podem alcançar. Seu trabalho mitigou diferenças e igualou oportunidades. Dorina merece todo o reconhecimento nacional e internacional com que é distinguida e se constitui em personalidade da qual todos os brasileiros devem se orgulhar!″
Rosely Boschini, Presidente da Câmara Brasileira do Livro″De tempos em tempos, aparece alguém que nos faz recuperar a fé na humanidade e traz de volta a alegria de pertencermos à raça humana. Dorina Nowill já seria um bonito exemplo de superação somente pelo que fez da sua trajetória pessoal. Mas ela avançou mais. Transformou a cegueira que adquiriu na adolescência numa intensa motivação para escrever as primeiras páginas da história da inclusão dos deficientes visuais no Brasil″
Lina de Albuquerque, Jornalista e autora do livro Recomeços″“Dorina Nowill disse uma frase marcante para a minha vida: O seu rugido é para despertar as almas adormecidas daqueles que não ouvem”. Neste momento pude reconhecer ainda mais a serenidade da alma e o espírito solidário que esta mulher carregava em seu coração. Ela, mesmo com suas limitações físicas, conseguiu elevar e despertar a beleza da vida em cada um de nós. Merece todo o nosso respeito, apoio e carinho, sempre″
Célia Leão, Deputada Estadual″Quando a palavra inclusão ainda estava longe de entrar na pauta da sociedade – civil e na esfera pública –, Dorina Nowill foi uma grande pioneira ao detectar na educação a ferramenta fundamental para que a pessoa com deficiência tivesse cidadania. Os caminhos que Dorina trilhou e construiu felizmente estão consolidados no nosso país. Tenho nela uma grande inspiração″
Mara Gabrilli, Deputada Federal″Encantadora de almas é assim que posso definir Dorina. Pessoa positiva. Enxergava o lado bom das pessoas e das situações. Agregadora, sempre soube atrair as pessoas para trabalharem em prol da inclusão das pessoas com deficiência″
Alfredo Weiszflog, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Dorina Nowill para Cegos″São Paulo dizia que não basta ter bons sentimentos, não é suficiente ter bons sentimentos – é preciso expressar esses bons sentimentos na forma de viver, na relação com o mundo, no papel que desempenha dentro da sociedade. E pessoas como Dorina são o que nós temos de melhor no Brasil em matéria de amor, de solidariedade, de dedicação ao próximo″
José Serra, Ex-Governador de São Paulo″Dorina Nowill, arquiteta da construção de um caminho desconhecido, desbravado e efetivado pela ousadia, certeza, confiança, fé e alegria. É assim que a AVAPE e a FENAVAPE a consideram. Modelo de sucesso, um marco na reabilitação das pessoas com deficiência visual, Dorina, sinônimo de superação que iluminou e ilumina muitas pessoas e instituições para o bem. Temos muito que lhe agradecer″
Sylvia Cury, Presidente da AVAPE″Dorina era uma das pessoas mais sensíveis que já conheci. Todos temos muito que aprender com o exemplo de vida desta mulher que superou a sua deficiência e que sempre trabalhou muito para a inclusão social dos deficientes″
Gustavo Rosa, Artista Plástico″A vida, a história, a luta e a determinação de Dorina de Gouvêa Nowill são eternos ensinamentos e constante fonte de inspiração para nós que, assim como ela, trabalhamos por um mundo melhor para todos, em especial para as pessoas com deficiência visual. Sem sombra de dúvida, Dorina é para nós, cegos brasileiros, o que Louis Braille foi para os cegos do mundo inteiro″
Moisés Bauer Luiz, Presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil″Dorina era uma mulher maravilhosa, extraordinária. Exemplo para todos nós de capacidade de trabalho, sensibilidade, inteligência e espírito público. Uma mulher de fibra, que soube superar imensos desafios ao longo de sua vida e que procurou contribuir com o seu trabalho, com o seu exemplo, para que possamos viver em um mundo melhor″
Gilberto Kassab, Prefeito de São Paulo


















