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Histórias de vida

A Fundação Dorina Nowill, em seus 66 anos de existência, colaborou com a melhoria de vida de muitas pessoas. Abaixo você poderá conhecer a história de algumas delas:

Marcelo Panico

Foto de Marcelo Panico em seu ambiente de trabalho. Veste camisa br...

“Muita coisa há para ser feita, mesmo sem enxergar”

Foi de repente. Aos 33 anos, a vida deu uma reviravolta. As veias da retina se romperam e o advogado Marcelo Panico perdeu quase toda a visão. “Foi um luto de se fechar em casa no meu quarto. Eu pensei que a vida tinha realmente acabado”, lembra.

Isso faz oito anos. Hoje reabilitado pela Fundação Dorina, conta com a ajuda de um cão-guia, e faz parte da equipe de advogados de uma multinacional. Marcelo também é usuário de livros digitais acessíveis, da revista Veja falada e de outros produtos oferecidos pela instituição.

O recomeço não foi fácil, como acontece com todos que passam pela Fundação Dorina. Fez treinamento com recursos óticos, aulas de informática, atividades do dia a dia, orientação e mobilidade. Teve que reaprender a fazer o que sabia de outra forma e hoje convive bem com os recursos tecnológicos que auxiliam o seu cotidiano.

Marcelo está sempre com um sorriso no rosto. E para quem dúvida que os deficientes visuais podem levar uma vida independente ele dá o recado: não duvide da capacidade do ser humano em se superar. Eu achei que minha vida tinha acabado. Mas estou aqui para provar que muita coisa há para ser feita, mesmo sem enxergar.

Bruno Marques

oto de Bruno no corredor de entrada da Fundação Dorin...

Bruno Marques, de 11 anos, sonha em ser DJ ou programador de sites acessíveis

Bruno nasceu cego e passou a frequentar a Fundação Dorina em 2007. Hoje aos 11 anos, é fera em jogos de computador e tira de letra o convívio na escola com crianças que enxergam. “Não adianta você viver em um ambiente que só tem pessoa que tem o seu problema, senão você não vai se acostumar com o mundo”, comenta Bruno.

Mas nem sempre foi assim. Rosa, mãe de Bruno, lembra que quando o menino foi diagnóstico com apenas um ano de idade , não sabia o que esperar para o futuro dele. Isto, porém não lhe tirou a esperança de ver o filho alfabetizado e levando uma vida independente.

A primeira oportunidade veio quando Rosa conheceu em Guarulhos, uma professora cega que indicou a Fundação Dorina Nowill para Cegos. Na instituição Bruno passou pelo Serviço Especializado, sendo estimulado a usar o tato, a perceber os objetos, passou a ter noções de mobilidade e espaço. Em pouco tempo já sabia ler o braille e usar a bengala longa. O atendimento realizado pela Fundação Dorina Nowill para Cegos foi essencial não só para o Bruno, mas também para sua família, que recebeu apoio psicológico e o acompanhamento de profissionais qualificados.

Para seus pais, Bruno é uma criança exemplar. Faz suas atividades rotineiras sem ajuda ou adaptações. Tira boas notas. E sonha em ser DJ ou programador de sites acessíveis para pessoas com deficiência visual. E no que depender de seus pais e da Fundação Dorina, Bruno vai conseguir.

Adrian de Freitas

Foto de Adrian sorrindo. Ele tem cabelos castanhos lisos  e veste c...

Este é Adrian, 6 aninhos. Quando tinha apenas 9 meses, uma mancha branca apareceu em um de seus olhos. Após vários exames, veio o diagnóstico: um tumor maligno na retina, chamado Retinoblastoma

Como sua família morava em Sergipe, os médicos recomendaram aos seus pais que ele fosse levado a São Paulo para buscar ajuda. Sem dinheiro, a família procurou uma rádio da cidade que, através de uma campanha, conseguiu a ajuda dos ouvintes para custear a viagem.

Mesmo tão novo Adrian iniciou sua luta contra o câncer. Com apenas 1 ano e 9 meses, os médicos tiveram de remover um dos globos oculares de Adrian para que o tumor não se alastrasse para outros órgãos. Aos 2, o outro globo foi também removido. No lugar dos olhos Adrian colocou duas próteses oculares.

Mas o que uma criança de 2 anos, cega e com poucos recursos financeiros poderia esperar da vida? Muito. A falta dos olhos não podia tirar de Adrian o direito de sonhar e viver como qualquer criança. E a primeira luz de esperança veio de uma médica, que recomendou aos pais de Adrian que o levassem à Fundação Dorina Nowill para Cegos.

E foi na Fundação Dorina que Adrian e sua família tiveram forças e recursos para iniciar sua segunda batalha na vida: O recomeço. Hoje, Adrian tem 6 anos e estuda numa Escola Municipal de Carapicuíba, em São Paulo. Já está se alfabetizando e, apesar de não enxergar, aprende mais rápido que alguns de seus amiguinhos que enxergam. Mas, para isso, o seu aprendizado tem que ser complementado com as aulas de braille e seu esforço acompanhado de perto por pedagogas especializadas.

O atendimento realizado pela Fundação Dorina Nowill para Cegos é essencial não só para o Adrian, mas também para sua família, que recebe apoio psicológico e o acompanhamento de profissionais qualificados. O objetivo é a independência de Adrian, para que ele possa fazer aquelas coisinhas do dia a dia que quem enxerga não dá a mínima importância. Para a família, Adrian é uma criança sem nenhuma dificuldade ou empecilho. E nada na casa é adaptado, pois na Fundação Dorina ele tem aulas para superar os obstáculos. Ele toma banho, come, brinca e se troca sozinho.

Adrian é cego, mas olha para todas as pessoas com um sorriso constante no rosto. E enxerga longe! Como a maioria dos meninos de sua idade, ele quer ser jogador de futebol. Um dia, Adrian quer se casar e ter filhos. E gostaria de dirigir, mas sabe que não é possível. Um dos seus poucos sonhos impossíveis. Porque, no que depender da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Adrian vai poder crescer e levar uma vida normal.

Rodrigo Alves de Souza

Foto de Rodrigo. Ele é moreno e está de óculos...

Rodrigo Alves de Souza aos 9 anos de idade foi diagnosticado com catarata. Os médicos recomendaram alguns tratamentos, mas, mesmo com muita luta, aos 16 anos ele perdeu totalmente a visão.

Um adolescente tímido, sem amigos, que dependia das pessoas para quase todas as tarefas, que havia parado de estudar e dispunha de poucos recursos financeiros. Esse era Rodrigo, que passava os dias ouvindo rádio e TV, imaginando quando as coisas seriam diferentes.

A esperança veio quando uma pessoa recomendou a sua mãe que o levasse à Fundação Dorina Nowill para Cegos. E foi na instituição que o rapaz, assustado e precisando de ajuda, como ele mesmo se define, encontrou o que precisava.

Rodrigo e sua família receberam na Fundação Dorina o apoio e os recursos necessários para a sua inclusão escolar e autonomia. Aulas de braille, orientação e mobilidade, atividades da vida diária e terapia foram fundamentais para o despertar do jovem. Ele acredita que sua evolução se deu principalmente pelo apoio psicológico que encontrou na Fundação Dorina. Descobriu um novo universo com muitas referências positivas.

Cliente da Fundação Dorina desde 2007, hoje, aos 23 anos, Rodrigo está terminando o supletivo de ensino fundamental, faz curso de informática e frequenta diversos espaços sociais, nos quais encontra muitos amigos. Além da independência adquirida ao longo desses anos de reabilitação, a leitura se tornou uma referência importante em sua vida. Rodrigo descobriu o talento de compor músicas e escrever poesias. “Antes de ler em braille eu me achava uma pessoa sem perspectivas, e hoje me sinto alguém batalhador, uma pessoa que valoriza a vida.”

Rodrigo é, sim, um rapaz tímido. Mas agora sabe da sua capacidade e sonha se tornar um escritor. Ao terminar o seu depoimento Rodrigo faz questão de agradecer a Fundação Dorina Nowill para Cegos pelo trabalho que realiza em prol das pessoas com deficiência visual. Sem o atendimento especializado ele acredita que não teria conseguido dar o primeiro passo em busca da sua independência e autonomia. O primeiro passo de uma longa caminhada pela vida.

Ana Lúcia Villela

Foto de Ana Lucia sentada na mesa de uma cozinha. Ela tem um aparel...

Em 2006, Ana Lúcia Villela ouviu na TV uma entrevista de Dorina de Gouvêa Nowill. Surpresa com o trabalho realizado na instituição criada pela senhora Dorina, Ana Lúcia foi até a Biblioteca Monteiro Lobato em São Bernardo do Campo, onde mora, e ficou encantada com o que encontrou por lá. Páginas e mais páginas de livros em áudio.

Com visão subnormal desde a infância devido a retinose pigmentar, Ana Lúcia desenvolveu a memória auditiva e por isso sempre gostou muito de assistir filmes e seriados, além de ouvir música e rádio. Embora gostasse muito dos livros, os títulos ficavam restritos aos que sua mãe conseguia ler para ela.

Os livros falados e a revista “Veja” falada produzidos na Fundação Dorina se tornaram para Ana Lúcia uma grande companhia e um hobby. É neles que encontra conhecimento, cultura, diversão e viaja pelas estórias. “Ler é uma coisa surpreendente; posso dizer que mudou minha percepção sobre a vida. Os livros falados ajudam muitas pessoas. Sempre indico para os deficientes visuais que conheço. Sem eles eu, por exemplo, não teria contato com literatura como tenho hoje”, comenta.

São 60 livros por ano. Você não leu errado. É isso mesmo, uma média muito superior à das pessoas que enxergam. Ana Lúcia brinca que a biblioteca de livros falados é a sua Disneylândia. A dona de casa, de 48 anos, conta que, enquanto vai fazendo suas atividades rotineiras, como cozinhar, arrumar a casa e costurar, vai ouvindo os livros e não se perde na leitura.

Histórias de vampiros, suspense, romances e séries estão entre as suas leituras preferidas. E confessa que, quando o assunto é muito interessante, consome o livro em um dia.

Ana Lúcia passa os dias a ouvir obras do acervo de mais de 1.600 títulos disponíveis na Biblioteca Circulante de Livros Falados da Fundação Dorina Nowill para Cegos e sonha com o dia em que os livros serão lançados ao mesmo tempo em tinta e em áudio.

Quem somos

Há mais de seis décadas a Fundação Dorina Nowill para Cegos tem se dedicado à inclusão das pessoas com deficiência visual, por meio do acesso à educação e a cultura. Oferece programas de clínica de visão subnormal, educação especial, reabilitação e empregabilidade, além de produzir e distribuir livros braille, falados e digitais acessíveis.

Fundação Dorina Nowill para Cegos

Rua Doutor Diogo de Faria, 558 • Vila Clementino • São Paulo/SP - Fone: (11) 5087.0999 / Fax: (11) 5087.0977

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