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11 de outubro de 2017

A arte de educar na era da tecnologia

Confira o artigo preparado pela coordenadora da Área de Educação Inclusiva da Fundação Dorina, Eliana Cunha, sobre a educação nos tempos de hoje.

Descrição da imagem: Três crianças, duas garotas e um garoto, sentados sob tapetes coloridos, leem livros em braile. Fim da descrição de imagem.

O mundo mudou!

É voz corrente a grande velocidade dos avanços tecnológicos avanços esses que promovem cada vez mais o acesso às informações em todas as áreas do saber.

Ante qualquer questão, temos na ponta dos dedos o Google, nosso companheiro de jornada, que nos abre as portas do conhecimento. Isso sem contar toda a trama de redes sociais e meios de comunicação, que nos mantém plugados no planeta em tempo real, deixando todos nós com uma sensação de que não daremos conta de tanta informação. E não se assustem, não daremos mesmo!

Não raras vezes, ouvimos dos professores e dos pais que “não dá para competir com a tecnologia”, com um certo sabor de saudosismo, de um tempo, não muito distante de nós, em que eram a fonte por excelência de conhecimentos.

Como se não bastasse, assistimos a uma mudança social profunda em termos de valores e papéis desempenhados por todos os atores sociais, principalmente no que diz respeito aos papéis da família e da escola.

Vale ressaltar que essa conjuntura histórica e social traz maiores impactos nas fases de vida marcadas por uma maior labilidade de desenvolvimento, ou seja, na infância e na adolescência.

E agora? O que fazer? Como fazer? São perguntas que ecoam principalmente nas escolas e nas famílias.

A resposta é complexa e requer reflexão e mudança de postura. Precisamos rever o conceito que temos do ato de educar, que não pode ser visto como uma simples comunicação de conhecimentos, mas como um trabalho de desenvolvimento de habilidades físicas, cognitivas, psicológicas e sociais.

Outrossim, os planejamentos educacionais homogêneos e as avaliações sob a mesma óptica para todos gera fracasso no sistema educacional.

Jamais teremos sucesso educacional se todos os alunos forem ensinados da mesma forma e exigidos sob os mesmos parâmetros, como se houvesse um “aluno padrão”. Nesse caso, somente os que tiverem maior facilidade de aprendizagem e condições familiares mais favoráveis obterão êxito. O modelo educacional vigente não favorece a diversidade sob nenhum aspecto, o que acentua o impacto gerado no que diz respeito à inclusão escolar. Mais do que nunca, não basta somente transmitir conhecimentos, mas sim criar uma conexão com os educandos que clamam por modelos e referências. Estamos diante de uma geração carente de atenção, de afeto e um tanto quanto perdidas ante tantas possibilidades e incertezas.

Portanto, é necessário desenvolver estratégias para analisar a capacidade e habilidade de cada aluno; observar a autoestima de cada um deles, evitando o isolamento e o desânimo e criar estratégias estimulantes individualmente e em grupo.

Finalmente, a arte de educar requer envolvimento, comprometimento, perseverança e a habilidade para reconhecer os progressos de cada educando.

Esse é o processo educacional que conhecemos e precisamos!

Descrição da imagem: retrato da autora do artigo, a médica e coordenadora da Área de Educação Inclusiva da Fundação Dorina, Eliana Cunha. Fim da descrição.

Eliana Cunha, coordenadora da Área de Educação Inclusiva / Fundação Dorina Nowill para Cegos, mestra e doutoranda em Psicologia da Educação /PUC-SP, ortoptista graduada e pós graduada em distúrbios visuais pela Escola Paulista de Medicina –UNIFESP, especialista em Visão Subnormal / Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e orientadora Familiar/ Universidade de Navarra –Espanha.