Ir para o conteúdo Ir para o menu principal

4 de janeiro de 2018

Dia Mundial do Braille: 200 anos de alfabetização e independência

Sistema de escrita e leitura em relevo criado há quase dois séculos continua sendo imprescindível para a inclusão de pessoas cegas em todo o mundo!

Descrição da imagem: foto de duas mãos tateando uma página em braile. Fim da descrição.

No dia 4 de janeiro é celebrado o Dia Mundial do Braille! O sistema de escrita e leitura em relevo criado pelo francês Louis Braille no início do século XIX mudou para sempre a história das pessoas com deficiência visual e continua sendo imprescindível até hoje!

Mesmo com o avanço de recursos de acessibilidade como o livro digital acessível (como o ePUB3) ou audiolivro, o braile continua sendo uma ferramenta indispensável para a educação e inclusão social das pessoas cegas, principalmente na alfabetização das crianças.

Isso porque o aprendizado dos pequenos depende da representação tátil dos símbolos da Matemática, Química, Física, Música, entre outras disciplinas. Além disso, os livros em braile trazem gráficos, mapas, figuras geométricas e outras ilustrações em relevo para que as crianças cegas tenham acesso às mesmas informações que os alunos que enxergam.

A Ana Carolina, por exemplo, é uma das centenas de crianças atendidas pela Fundação Dorina que usam o sistema braile para estudar todas as matérias escolares e acompanhar o ritmo dos outros colegas de classe.

Descrição da imagem: foto de Ana Carolina, uma criança de 6 anos, manuseando peças de um alfabeto braile de madeira sobre uma mesa. Fim da descrição.
Materiais pedagógicos como o alfabeto braile de madeira são fundamentais para a alfabetização das crianças com deficiência visual, como a Ana Carolina

“Toda criança que nasce cega ou perde a visão na primeira infância deveria ter garantido o direto de ser alfabetizada e de ter acesso a livros didáticos em braile. Ele é o único sistema natural de leitura e escrita que permite a representação do alfabeto, além de números e simbologias científica, fonética, musicografia e informática”, explica a coordenadora de revisão em braile da Fundação Dorina, Regina de Oliveira. Ela é cega desde o 7 anos de idade e hoje integra os Conselhos Iberoamericano e Mundial do Braille.

Autonomia

Entrar sozinho em um elevador, encontrar seus produtos preferidos no supermercado, ler com tranquilidade os cardápios nos restaurantes, consultar contas bancárias com privacidade e ingerir seus remédios com segurança são apenas algumas das situações em que o braile garante às pessoas cegas o direito de viver com independência e exercer sua cidadania plena.

É por isso que a Fundação Dorina produz e distribui milhares de livros em braile gratuitamente todos os anos, além de oferecer soluções em acessibilidade para empresas e órgãos públicos que desejam tornar seus serviços e produtos acessíveis.

Há quem diga que não existe uma pessoa cega alfabetizada no País que não tenha tido pelo menos um livro em braile produzido pela Fundação Dorina em seus mais de 70 anos de atuação.

Hoje, quase 200 anos depois, o método criado por Louis Braille continua evoluindo transformando a vida de milhares de pessoas em todo o mundo! “A escrita foi uma das maiores invenções da humanidade, mas por muito tempo as pessoas cegas ficaram afastadas dessa conquista. Até que, dois séculos atrás, veio o braile. A data de hoje deve ser muito celebrada sim! É um dia em que eu me sinto muito feliz e igual às outras pessoas”, completa Regina.