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11 de outubro de 2017

Dia Mundial da Visão fomenta discussão sobre a saúde ocular

Confira a matéria realizada com a Dra. Keila Monteiro de Carvalho, secretária Geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Descrição da imagem: moça sendo atendida em consulta oftalmológica por uma profissional da Fundação Dorina Nowill para Cegos. Fim da descrição.

Realizado anualmente na segunda quinta-feira do mês de outubro, o Dia Mundial da Visão tem como objetivo promover o diálogo sobre cuidados com a saúde ocular. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que entre 40 e 45 milhões de pessoas no mundo são cegas, e outras 135 milhões sofrem limitações visuais. Segundo os dados do Censo 2010, existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual no Brasil, sendo aproximadamente 500 mil cegos e 6 milhões com baixa visão. De acordo com os dados do World Report on Disability 2010 e do Vision 2020, a cada 5 segundos, 1 pessoa se torna cega no mundo, sendo que 90% dos casos ocorrem nos países emergentes e subdesenvolvidos.

Para esclarecer algumas dúvidas sobre a saúde dos olhos, entrevistamos a professora titular de oftalmologia FCM/Unicamp e secretária Geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Keila Monteiro de Carvalho.

  1. O que é a deficiência visual?

Dra. Keila: A deficiência visual é a perda total ou parcial da visão. Na cegueira há perda total da visão ou pouquíssima capacidade de enxergar (5% ou menos de visão), enquanto a baixa visão, ou visão subnormal, caracteriza-se por apresentar 30% ou menos de visão no melhor olho, após todos os tratamentos clínicos, cirúrgicos e óculos comuns.

  1. Quais as maiores causas da deficiência visual no Brasil durante a infância e idade adulta?

Dra. Keila: As causas da deficiência visual podem ser congênitas ou adquiridas. Na infância, as principais razões são: catarata congênita, glaucoma congênito, toxoplasmose ocular congênita, retinopatia da prematuridade, rubéola e albinismo óculo cutâneo. Já na idade adulta as causas, em geral, são: glaucoma, retinopatia diabética, atrofia do nervo ótico, retinose pigmentar e Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).

  1. Por que é tão importante a consulta e avaliação oftalmológica? Qual a periodicidade deste acompanhamento?

Dra. Keila: A OMS aponta que 80% dos casos de deficiência visual poderiam ser evitados se houvesse prevenção ou tratamento. A avaliação oftalmológica permite a detecção de problemas, o diagnóstico e a indicação do tratamento adequado para a garantia da saúde ocular. Ao menos uma vez ao ano, mesmo sem a manifestação de sinais, é importante realizar uma consulta.

  1. Quais as características ou sinais em recém-nascidos que indicam algum tipo de deficiência visual? Todo recém-nascido deve fazer um exame oftalmológico?

Dra. Keila: Se os pais observam que o bebê não dá atenção ou não responde com sorrisos aos estímulos visuais, é aconselhável ir a um oftalmologista que irá realizar testes específicos de visão. Nas primeiras 12 horas de vida de um bebê, é feita uma triagem dos problemas oftalmológicos, o popular “Teste do Olhinho”, caso seja detectada alguma anormalidade, ele deverá ser encaminhado para exame oftalmológico.

  1. Quais os principais cuidados com a saúde ocular que devemos ter em nosso dia a dia?

Dra. Keila: Alguns cuidados são importantes para a saúde ocular, entre eles:

  • Consultar-se com um médico oftalmologista pelo menos uma vez ao ano;
  • A partir dos 40 anos de idade, medir, anualmente, a pressão intraocular com o objetivo de detectar o glaucoma e realizar um tratamento precoce. Em caso de glaucoma na família, é aconselhável monitorar desde a juventude;
  • Consumir alimentos que auxiliem na saúde dos olhos (vitamina A, C, E, Zinco, Ácidos Graxos e Ômega 3);
  • Evitar os sintomas de vista cansada, causada pelo uso excessivo do celular, computador ou televisão;
  • O hábito de coçar os olhos pode causar danos à estrutura ocular;
  • Exposição prolongada ao sol sem óculos com proteção UVA/UVB pode causar problemas sérios na visão e aumentar a predisposição às doenças oculares;
  • O hábito de fumar pode ser um fator de risco para algumas doenças, como a catarata.

 

Descrição da imagem: retrato da médica Keila Monteiro de Carvalho. Ela olha para frente e sorri. Fim da descrição.
Keila Monteiro de Carvalho, professora titular de oftalmologia FCM/Unicamp e secretária Geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.