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3 de Maio de 2018

‘Meu currículo já foi excluído muitas vezes por causa da deficiência visual’

Com 18 anos de experiência, o advogado Marcelo Panico conta que ainda há resistência por parte das empresas na hora de contratar uma pessoa com deficiência

Descrição da imagem: foto de Marcelo Panico à frente da fachada da Fundação Dorina. Ele usa terno preto, camisa branca, olha pra frente e sorri. Ao fundo, uma parede amarela com o logotipo da Fundação Dorina.

De acordo com os últimos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2015), pessoas com deficiência ocupam menos de 1% das vagas formais de emprego no Brasil. Entre aqueles com maior dificuldade para colocação no mercado de trabalho estão as pessoas com deficiência visual, população que, no Brasil, chega a 6,5 milhões de cidadãos, segundo o IBGE.

Marcelo Panico faz parte dessa estatística. Contratado em abril de 2018 como advocacy da Fundação Dorina (cuidar do relacionamento institucional e da consultoria jurídica são algumas de suas atribuições) , Marcelo conta que chegou à instituição em 2004, quando perdeu a visão, aos 33 anos. Passou pelos serviços de reabilitação, atendimento psicológico e cursos de capacitação, onde se familiarizou com o uso do computador.

No final de 2017, procurou à Fundação Dorina para se recolocar profissionalmente e relata que, até então, a busca pelo emprego não foi uma tarefa fácil. “Tenho 18 anos de experiência na área jurídica e muitas vezes o meu currículo foi descartado em algumas empresas pela questão da deficiência visual”, salienta Marcelo.

A equipe de empregabilidade da Fundação Dorina faz uma avaliação das oportunidades de trabalho com as competências de cada candidato. Marcelo destaca a importância nesse processo de conscientizar e impactar o gestor, que na maioria das vezes, não tem conhecimento sobre a deficiência visual e, por isso, não abre espaço para conhecer o potencial de uma pessoa cega ou com baixa visão. “Estamos aqui para quebrar essas barreiras por meio das sensibilizações com as empresas”, ressalta Marcelo.

Trabalho

De acordo com o coordenador de empregabilidade da Fundação Dorina, Edson Defendi,  75 empresas receberam o serviço de sensibilização em 2017. “É o momento que nós vamos às empresas para conscientizá-las da necessidade de inclusão das pessoas com deficiência visual no mundo de trabalho”, destaca Edson.

As sensibilizações começam com um diagnóstico prévio da cultura da empresa para em seguida realizar os encontros. São organizadas mesas redondas, palestras e workshops com temáticas que buscam esclarecer e desmistificar a vivência da pessoa com deficiência visual nos ambientes de trabalho, além de apresentar modelos de tecnologias assistivas e opções de acessibilidade. “Buscamos promover uma mudança de cultura nas práticas empresariais e na forma de se olhar para a diversidade e a inclusão, por isso, profissionais com deficiência visual também participam desses momentos compartilhando suas experiências”, finaliza Edson.