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3 de setembro de 2020

O que há por detrás das páginas de um livro em braille

A Fundação Dorina abre as portas do seu editorial e conta os detalhes de como é feita a produção de um livro em braille

Imagem de fundo preto. No centro há diversos livros braille didáticos. Eles tem capa branca, com a lombada vermelha. No topo da capa está escrito "ATLAS" e abaixo está desenhado o mapa mundi.

Todos sabemos que os benefícios da leitura são inúmeros. Ela contribui para o aumento do vocabulário, para o exercício da criatividade, para se informar e tantas outras coisas. Para leitores com deficiência visual, ela também se torna uma forma de conhecer o mundo.

São por meio dos formatos acessíveis de leitura que pessoas cegas e com baixa visão podem ter acesso à informação, à educação e à inclusão. Nossa fundadora, Dorina Nowill percebeu essa importância há mais de 70 anos e começou um movimento pioneiro que, hoje em dia, se tornou referência no país: a produção de livros em braille.

Com a maior gráfica braille da América Latina em capacidade de produção, a Fundação Dorina Nowill para Cegos imprime cerca de 450 mil páginas braille por dia e distribui mais de 221 mil livros acessíveis para todo o Brasil. Além disso, é responsável pela impressão braille do maior projeto de produção de livros didáticos do mundo, o Plano Nacional do Livro Didático.

Mas, você sabe como acontece toda essa produção? Como a nossa gráfica trabalha? E quem são as equipes por detrás de tudo isso? Confira agora!

Tudo começa assim  

Os pedidos para produção de livros chegam por meio de dois canais: via área Comercial, que lida diretamente com pessoas físicas e jurídicas que contratam as Soluções em Acessibilidade da Fundação Dorina. Ou por meio dos projetos de Leis de Incentivo, que subsidiam as nossas ações de promoção da leitura acessível.

No primeiro caso, os clientes é que determinam os títulos e suas demandas. Já via projetos, entra o apoio da nossa Rede de Leitura Inclusiva, que identifica os títulos mais interessantes para produção, de acordo com as necessidades dos parceiros e leitores com deficiência visual.

Com a ordem de serviço em mãos, o Editorial Braille realiza a parte de produção em três grandes frentes:

Foto de uma cena de revisão. Regina Oliveira está em primeiro plano, de perfil, lendo uma página braille, sobre uma mesa a sua frente. Do outro lado da mesa, de frente para Regina, está uma mulher segurando nas mãos páginas com texto escrito.

1) Limpeza: é a ordenação do texto e inserção de caracteres especiais. É bastante comum os editores dos livros em tinta utilizarem boxes nas laterais dos textos ou letras em negrito, que não são funcionais para a leitura do braille. Por isso, essa etapa serve para organizar o texto linearmente e inserir o sinal braille que serve para destaque.

2) Diagramação: é a fase de adaptação do conteúdo e formatação do livro. Para isso, são utilizados como referência a Grafia Braille para a Língua Portuguesa e as Normas Técnicas para Produção de Textos em Braille. “Nessa etapa, realizamos a estruturação do livro compondo o sumário, a divisão em volumes – já que cada página do livro original resulta em cerca de 3 páginas braille –, a descrição de imagens e adaptação de exercícios. Também incluímos os desenhos em relevo, capa e contracapa”, explica Bárbara Carvalho, supervisora da área.

3) Revisão: é a conferência do conteúdo. Ela é feita por um revisor braille com deficiência visual e um assistente voluntário vidente, que juntos conferem o livro em braille com o material original e verificam inconsistências, erros e avaliam se a adaptação feita pelo editor é suficiente para compreensão do conteúdo.

O tempo de produção de um livro braille é muito relativo. Depende de vários fatores, como o tamanho do livro e sua complexidade. “Em média, conseguimos produzir na Fundação um livro infantil com 42 páginas tinta braille em cerca de 10 horas. Livros literários trabalhamos aproximadamente 50 horas para 200 páginas originais”, acrescenta Bárbara.

A importância do livro braille

Imagem de uma página braille, com o desenho em relevo do mapa do Brasil.

A alfabetização de crianças que nasceram cegas ou que perderam a visão nos primeiros anos devida só é possível por meio do Sistema Braille.

“É por meio dos livros em braille que alunos aprendem a simbologia específica das disciplinas científicas, a ortografia da língua portuguesa e de outros idiomas. É por meio de mapas, gráficos, diagramas e outras imagens em relevo que terão acesso a informações de história, geografia e outras áreas do conhecimento”, esclarece Regina de Oliveira, coordenadora de Editorial e Revisão Braille da Fundação Dorina.

Por isso, há uma grande atenção da Fundação em manter uma equipe de revisores composta por pessoas com deficiência visual, com conhecimento de causa, a fim de garantir que o livro chegue às mãos do usuário final com todas as condições de qualidade indispensáveis ao seu uso eficaz.

Gráfica em ação

Imagem da gráfica braille da Fundação Dorina. Em primeiro plano estão quatro pessoas sentadas em uma bancada larga com várias pilhas de páginas em braille sobre a mesa. Ao fundo estão quatro grandes máquinas de impressão, cada uma com um homem ao lado fazendo sua operação.

Depois da revisão e dos ajustes necessários, o livro começa a tomar formato físico em nossa gráfica. As etapas de impressão e finalização acontecem de acordo com o tipo de encadernação exigido ao material, o que pode ser brochura (com a famosa lombada) ou espiral.

No formato brochura, a impressão acontece de forma mais tradicional, com o uso das grandes impressoras offset e rotativas para altas tiragens, que compõe a nossa gráfica. Para isso, outra máquina – a PUMA – entra em ação para fazer as matrizes de impressão em alumínio, que serão os moldes para as páginas braille. Em seguida, as páginas passam pela Alceadeira para serem intercaladas. Depois, acontece a paginação do livro e, então a Guilhotina e a Grampeadeira fazem o acabamento final.

Já quando o formato é espiral, são utilizadas as impressoras braille digitais, uma aquisição adquirida há pouco tempo pela Fundação Dorina. Depois, as páginas passam pela Perfuradeira para furação e, em seguida acontece a paginação do livro e a colocação do espiral.

Em ambos os processos, depois do acabamento, os livros são embalados e distribuídos conforme a demanda. E engana-se quem pensa que só as máquinas fazem esse trabalho. Há muita gente, entre operadores, equipe de conferência, entre outras pessoas envolvidas em toda a produção. E o mais legal é que tudo isso pode ser conferido de perto, em nossas visitas monitoradas oferecidas pelo Centro de Memória Dorina Nowill.

Como ter acesso aos livros

Imagem de uma estante com várias prateleiras e sobre elas vários livros em braille, desde infantis até didáticos. Acima da estante há uma linha do tempo da Fundação Dorina fixada na parede, composta por textos e imagens.

Por meio dos projetos via Leis de Incentivo, a Fundação Dorina consegue produzir e distribuir milhares de livros acessíveis, ampliando o seu alcance para todo o Brasil. Eles chegam a escolas, bibliotecas e instituições que promovem a leitura acessível e fazem a ponte com os leitores e usuários com deficiência visual.

Quem deseja receber gratuitamente os livros acessíveis da Fundação Dorina, deve entrar em contato com a nossa Rede de Leitura Inclusiva pelo e-mail leiturainclusiva@fundacaodorina.org.br. E para aqueles que desejam produzir livros ou outros materiais acessíveis, pode entrar em contato com a nossa área comercial pelo e-mail comercial@fundacadorina.org.br.

Gostou de conhecer os bastidores para a produção de um livro em braille? Então, compartilhe essas informações com outras pessoas e fique atento ao retorno de nossas atividades presenciais no Centro de Memória, para garantir a sua visita!